Como você toma suas decisões? Racionalmente ou emocionalmente? Recentemente li um estudo muito interessante, feito por dois pesquisadores norte-americanos, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica E-Life.
Qual a conclusão da pesquisa?
Os resultados sugerem que subconscientemente, as pessoas se condicionam a serem autoconscientes buscando lembranças do passado. Ou seja, nossa memória age no sentido de tornar nossa experiência atual – que merece uma escolha e uma tomada de decisão, consistente com nossas decisões anteriores.
A descoberta fornece uma maior compreensão sobre o processo decisório dos humanos em geral e abre caminho para uma investigação mais profunda sobre como nossas escolhas são afetadas por nossas tentativas de sermos autoconscientes.
Mas será que somos autoconscientes mesmo?
Achei muito interessante a conclusão, pois este estudo nos mostra que ao tomar uma decisão, nós ainda falhamos em não buscar nossos valores, o uso da razão e da reflexão ao depararmos com nossas escolhas. O que o experimento demonstra, e que pode ser bem explorado, é que tendemos a padronizar julgamentos que fizemos no passado, influenciando as nossas escolhas presentes e futuras, mas isso não exatamente significa que os resultados são melhores ou piores, que somos conscientes ou não. Indica apenas que o ser-humano tenta buscar um padrão ao pensar em soluções e fazer suas escolhas.
E isso é bom?
Se isso é bom ou ruim, ainda não foi identificado pelos pesquisadores e abriu caminho para uma investigação mais profunda.
Ao meu ver, dada minhas observações e experiências, isso não é bom para uma tomada de decisão bem posicionada e consciente. Um padrão – a dedução baseada em fatos passados, está voltado às memórias passadas, ao emocional e não à realidade do presente – do que o uso da razão nos proporciona, do refletir mais sobre os cenários, valores e, por fim, nas consequências da escolha que está para ser feita.
Então como decidir?
Lembro o que observaram dois filósofos americanos do século XIX – Charles Sanders Pierce e William James, – “aprendemos a tomar decisão, decidindo – exercitando o processo”. No entanto, muitas vezes, o contexto muda, a possibilidade de se encontrar dados que nos permitam fazer a melhor escolha não existe, ou não temos tempo para estudar profundamente e buscar respostas, então devemos “mirar nas consequências”, usando a razão e a reflexão, avaliá-las e decidir.
Vamos para um exemplo bastante comum. Depois de um primeiro casamento não hesitoso, muitas pessoas decidem tentar novamente um relacionamento, uma vida a dois. Mesmo com uma experiência não totalmente satisfatória, dá-se a chance para o novo, afinal o cenário é diferente, o personagem é outro e a história tem diferente enredo.
Por isso, é muito importante que se reflita bem, não se deixe tomar pela emoção do casamento anterior ter falhado, por julgamentos passados, por contextos diferentes etc. Antes de tomar uma decisão, como sempre tenho reforçado, é importante que se faça o uso da razão, deve-se refletir mais, orientar-se pelos seus valores e avaliar as possíveis consequências como se a escolha já tivesse sido feita. Quais são os cenários? Avalie-os e reflita bem sobre cada um deles e veja como você está se sentindo. Sente-se bem?
Lembre-se! O que foi ruim ou bom antes, pode não ser agora e vice-versa. A cada decisão devemos nos orientar pela boa reflexão, principalmente para decisões difíceis.
Fonte para a pesquisa, em inglês: https://elifesciences.org/for-the-press/83cf24ab/self-consistency-influences-how-we-make-decision
