Tomar boas decisões é um dos fatores mais relevantes para os negócios

Decidir é algo inevitável e fundamental para nossa existência. Não há uma única ação que tomemos que não seja precedida por uma resolução: andar, falar, comer, viajar, fazer compras… As decisões fáceis possuem pouca liberdade de escolha, consequências de curto prazo, o impacto é baixo e normalmente não afeta terceiros. Um exemplo é a nossa alimentação, a liberdade de escolha é limitada: me alimento agora ou não? Como algo leve ou mais pesado? E o impacto no caso de erro é pequeno – caso não haja algum problema de comorbidade em jogo, claro. Já as decisões difíceis têm ampla liberdade de escolha, as consequências são de longo prazo e impactam terceiros – como a escolha de uma profissão. Um jovem saindo do ensino médio tem mais de 2 mil profissões para escolher — imagine um piloto de avião ou um médico que escolheram a profissão de maneira equivocada.

Nas funções de gestão, também há decisões difíceis a serem tomadas. Se a empresa se encontrar diante de uma perda de participação de mercado, por exemplo, serão necessárias resoluções complexas, como o remanejamento de pessoal, demissões, mudanças nos processos de produção ou a criação de novos produtos. Mudanças conjunturais na economia ou problemas de gestão em áreas críticas da empresa podem resultar em uma situação financeira desfavorável. Isso exigirá intervenções profundas na organização e a escolha entre várias possibilidades, cada qual com um repertório próprio de consequências futuras. Por isso, é importante saber identificar quais são as decisões difíceis, para que não percamos tempo diante de desafios simples de resolver. Tire da sua frente o mais rápido que puder, as questões que podem ser contornadas sem dispêndio de muita energia. No início, quando ainda somos profissionais sem muita experiência, isso talvez exija doses de coragem e de iniciativa. Caso a questão a ser enfrentada seja das difíceis, considere o tempo como seu amigo. Traga essa decisão difícil para o mundo da reflexão e da razão – isso se faz isolando a emoção, respirando e esperando que a mente se acalme. Mas, decida, – não procrastine.

Com os meus 30 anos de experiência em cargos de alta gestão, cheguei a esses três pilares importantes para sermos mais assertivos nas escolhas: informação, emoções e valores baseados em nosso autoconhecimento. Recolher informações e dados que nos ajudem a entender o contexto no qual uma decisão será tomada, seus riscos e suas oportunidades, é uma forma de se preparar para agir. O segundo ponto é o emocional: faz parte do processo de gestão lidar com frustrações, sonhos, ambições e identificar nossos medos.  A questão principal é equilibrar a balança – não dá para decidir algo importante quando estamos emocionalmente abalados. Por último, e ao meu ver, mais importante, é que as decisões precisam ser baseadas em nossos valores. Ainda que erremos, o fato de estarmos conscientes e bem posicionados com relação aos nossos valores na tomada de decisão que fizermos diante das alternativas disponíveis, isso fará com que enfrentemos eventuais falhas e consequências com mais tranquilidade, sendo possível identificar claramente em que momento nos equivocamos durante o processo.

O ambiente dos negócios, com suas pressões e prazos curtos, acaba por nos incentivar a tomar decisões importantes de maneira automática ou deixando a emoção tomar conta, o que nos tira o tempo para organizar as informações e refletir com relação às escolhas que temos à nossa frente. A consequência desse hábito é que frequentemente nossas decisões são de uma qualidade inferior àquela que tomaríamos caso agíssemos de uma maneira mais calma, racional e lógica. Por isso, tomar decisão é um processo de aprendizagem. A necessidade de estarmos à altura de um mercado de trabalho que está sempre se transformando e sendo modificado por novas tecnologias e modelos de gestão, faz com que tenhamos que tomar decisões assertivas, com o risco de, se não escolhermos um bom caminho, perdermos oportunidades fundamentais. Lembre-se: nada é mais importante para a carreira e para os negócios do que saber decidir.

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Uranio Bonoldi
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