Discutir política no ambiente de trabalho é uma boa ideia?

As eleições municipais de 2020 no Brasil estão se aproximando. Com data marcada para 15 de novembro, com um segundo turno marcado para 29 de novembro. O tribunal estima que 750 mil candidatos disputarão as vagas de prefeito e vereador em todos os estados.

Principalmente agora em meio a pandemia do coronavírus, polarização, rancores, apreensão e ansiedade estão em seu ápice quando o assunto é política. Essa situação vulnerável e inconstante em que estamos vivendo deixou os brasileiros ainda mais divididos. Simplesmente não há como escapar de todo o material político gerado pelos candidatos e pela mídia. Notícias, jornais, mídias sociais e conversas no WhatsApp invariavelmente se voltam para o tópico político do dia – acompanhado, é claro, de discussões.

As coisas mudaram dramaticamente e agora falar sobre política e causas sociais se tornou comum no trabalho. Como candidato a um novo emprego você precisa ter em mente que os entrevistadores têm o direito de fazer campanha e votar em quem quiserem. Mas, você deve reconhecer que pelo menos metade dessas pessoas não compartilham de suas opiniões políticas. Dessa metade, uma boa amostra provavelmente despreza seu candidato e você corre um grande risco de afastar as pessoas ao promover suas preferências políticas. 

Mesmo que essa disputa seja importante para você, não vale a pena acabar com suas chances de conseguir um novo emprego ou até uma promoção afastando as pessoas. Reconhecidamente, este é um comentário triste sobre nosso clima tóxico atual, de que as pessoas formarão automaticamente opiniões negativas sobre você com base em suas preferências políticas. A “cultura do cancelamento” é real e muitos profissionais de destaque perderam seus empregos e meios de subsistência por causa dela.

Existe hora e lugar pra tudo.

Ao procurar um novo emprego ou lutar por uma promoção, os riscos são muito maiores do que a recompensa. Além disso, candidatos e trabalhadores também devem ter cuidado com sua presença nas redes sociais. Os gerentes e recrutadores pesquisam o Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn e outros sites para conduzir uma auditoria sobre um candidato antes de tomar uma decisão de contratação. Se um candidato a emprego publicar comentários e fotos ofensivos, raivosos e com linguagem obscena que possam ser interpretados como sugerindo qualquer tipo de violência  política, isso será visto de forma negativa.

Mesmo que alguém concorde sinceramente com sua ideologia, a pessoa pode se sentir desconfortável com sua falta de discrição e autocontrole. Isso porque, ninguém quer contratar uma pessoa que pode se transformar em um problema potencial para a boa gestão de pessoas. Eles podem, e com razão,  questionar se sua ideologia política ou o trabalho é mais importante. Pode surgir a preocupação se você começará a discutir com colegas de trabalho que não compartilham suas ideologias. Novamente, ambos os lados – as pessoas que concordam com sua posição política e aquelas que não compartilham de suas opiniões – não se sentirão confortáveis ​​contratando alguém que prefira pregar sua ideologia política a fazer o trabalho para o qual é pago.

Mas, este conselho não se destina apenas a quem procura emprego ou uma promoção.

Qualquer um, no seu trabalho, pode verificar com curiosidade, suas postagens nas redes sociais e fazer julgamentos rápidos sobre seu comportamento, – se ele é próprio ou não para um ambiente de trabalho. Guarde os argumentos políticos para a mesa de jantar ou quando estiver com amigos, – e olhe lá! Avalie bem se vale a pena. Se é fácil nos decepcionarmos com alguém, esse alguém é algum político, ou partido político, não é mesmo? Portanto, ao entrevistar ou avançar em sua carreira, concentre-se em conquistar os entrevistadores, tomadores de decisão e chefes – com base em seus valores, suas habilidades, histórico, realizações acadêmicas, personalidade, trabalho duro e dedicação – e não em quem você fez campanha e votou.

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Uranio Bonoldi
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